Do placebo ao corredor da morte.

06mai09

Já estava com a idéia de escrever sobre isso, mas hoje quando meu irmão falou em “efeito placebo” em um contexto muito errado, decidi que já tava na hora!

Pra quem não sabe, placebo é uma “substância inerte ou inativa a que se atribui certas propriedades, e que quando ingerida pode produzir um efeito que as suas propriedades não possuem”, literalmente, segundo o “Boa Saúde”, página do UOL. A questão de produzir efeitos que as suas propriedades na verdade não possuem é o intrigante do placebo, aí entra a questão psicológica: nesse mesmo site citado acima, um tal de Dr. Rossi que estava em missão no Pacífico Ocidental contou um caso verídico, de um habitante nativo que teve um osso sagrado do feiticeiro local apontado para ele, juntamente com a promessa de que ele iria morrer em breve. O Dr. Rossi recebeu este amaldiçoado, que não apresentava qualquer queixa de dor, febre ou evidencias de doença, mas estava de fato extremamente doente porque havia acreditado que iria morrer. Depois de ser ameaçado de corte de suprimentos alimentícios, o feiticeiro apontou novamente o osso para o colega nativo, e disse que ele não morreria, que a maldição havia sido apenas um engano. “De uma fase de pré-coma o nativo passou imediatamente a uma fase saudável, com total força física, e na mesma tarde estava perambulando pela missão.”

É costume da comunidade científica, o uso do placebo para o teste de novos medicamentos. O teste se chama duplo-cego: é entregue o remédio a um grupo experimental, e o placebo ao grupo de controle; quem os toma não sabe a que grupo pertence, e os responsáveis pela avaliação dos resultados também não sabem quem faz parte de que grupo. Dessa forma são evitadas distorções nos resultados pela parte dos avaliadores, e os pacientes-teste sabem que talvez estejam tomando placebo, evitando efeito psicológico acentuado.

Mas não é só de cápsulas que se faz o placebo. Uma crença pode ter esse efeito, como é o caso do osso visto acima, e o das avós, que sempre ensinaram seus netos que uma história podia curar algumas coisas, um chazinho outras (a enfermeira do meu colégio também dizia isso com freqüência), e um beijinho outras mais.

O poder da mente é imensurável e até mesmo assustador.  Estávamos conversando esses dias no intervalo, e surgiu uma história interessante a respeito disso. Um cientista, com o provável intuito de avaliar o efeito placebo, aplicou um teste em um preso que já estava no corredor da morte. Este preso foi posto em uma sala escura, de forma a ele não enxergar seus braços. Disseram a ele, que fariam cortes profundos nas veias de seus braços, e esta seria a causa de sua morte; e para ele foi. Na verdade, foram feitos apenas cortes superficiais, e ao lado dele, colocaram soro fisiológico pingando em bacias, de modo que ele acreditasse que era seu sangue enchendo-as.

Macabro, mas interessantíssimo.



Sem respostas ainda para “Do placebo ao corredor da morte.”

  1. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.